quarta-feira, 2 de maio de 2012

BRASIL: EPÍTOME DO MOVIMENTO PENDULAR DA HISTÓRIA PRETÉRITA




AS NOSSAS RAÍZES ANTERIORES À REPÚBLICA

Não há dúvida que o Brasil, efetivamente colonizado por europeus, teve o seu início como sendo um território utilizado para segregar os homens sentenciados pelos seus dolos cometidos em Portugal.

Quase que concomitantemente, também, a coroa portuguesa notou que aqui seria uma ótima fonte de riquezas; ou seja, extrações predadoras, principalmente na área mineral. Então, este texto visa evidenciar a raiz filosófica que deu origem à história do Brasil, a qual prossegue emitindo galhos e frutificando até os dias atuais; ou seja, extrair; extrair do Brasil para si.

Neste processo, vários outros países europeus também disputaram a extração de bens naturais brasileiros para incrementarem a economia dos seus respectivos estados.

Dentre os valores culturais e as ações dos pensadores do mundo daquela época, então, enquanto o Brasil subjugava os índios e os escravos sob os ditames e catequeses da “Igreja-Estado Romana”, a Alemanha e outros países vizinhos já se revoltavam contra o domínio e a exploração econômica imprimida pelo Estado do Vaticano através da chantagem religiosa. Evidencia-se que o cristianismo estatal, efetivamente, nada tinha de correlação com os ensinos do fundador do movimento cristão. Evidencia-se, então, que existiam dois quadros pintados ao mesmo tempo, mas totalmente diferentes quando ao estágio histórico evolutivo; no Brasil, uma filosofia de escravizar para extrair, e na Alemanha, questionamentos e revoltas contra a extração e a espoliação do povo realizada em nome de Cristo.

Portanto, a motivação para os europeus do oeste se dirigir ao território brasileiro era tão somente visando extrair riquezas para si. Esta era a intenção da maior parte das expedições e dos homens que para cá se dirigiram. E, os cientistas sociais da atualidade devem admitir com clareza que, subjetivamente, este espírito está arraigado na cultura brasileira até os dias de hoje. Elogia-se tanto a liberdade, a alegria, a espontaneidade, a infantilidade “útil”, e a capacidade de improvisação como sendo grandezas inerentes à cultura brasileira a serem ufanadas e cultuadas; no entanto, todo este conjunto de valores culturais tem a sua origem subjetiva na raiz da colonização; ou seja, a ideia de vir aqui para levar, extrair e tomar para si.

Enfim, é neste clima que se pode observar o desenrolar da história do Brasil, desde o seu descobrimento, passando pelos tempos colônia, império, e, por fim, república.  



OS PRIMÓRDIOS DA REPÚBLICA BRASILEIRA

Como dissemos anteriormente, a intenção central reinante na mente da maior parte dos homens que vinham ao Brasil, tanto para negócios como para morar, era a de extrair para si.

Com o desenvolvimento deste processo, claro, aumentou significantemente o número de pessoas e de habitantes do novo território; e, todos com a mesma intenção. Logo, neste contexto, surgiram homens mais poderosos e pequenos grupos que iniciaram um processo contínuo de disputa e de domínio sobre determinados setores e regiões, sempre no afã de extrair.

É lógico que, neste processo, então, muitas revoltas, brigas, revoluções e mortes ocorreram; em todo o território. Então, propagar que, culturalmente, o brasileiro é pacificador, e que aqui, as mais diversas etnias vivem em harmonia e em união é uma falácia embalada de romantismo florido. O que, efetivamente acontece é a falta de divulgação dos fatos reais da história brasileira, os quais são recheados de violência intensa, severa, vil e sanguinária.

Já no segundo império, com o imperador D. Pedro II, este processo de extração descrito até aqui gerou um pequeno grupo que dominou a grande massa popular, servos e escravos. E, este processo foi viabilizado graças à metodologia da violência e do aviltamento bárbaro a quaisquer resquícios de direitos humanos. Foi um pequeno grupo que, escravizando o grande povo, deu início à atividade agropecuária, principalmente na produção de café, cana e leite.

Então, estava formada a estrutura da sociedade brasileira que, de certa forma, perdura até hoje; ou seja, um pequeno grupo que monopoliza a riqueza e o poder, diante de um grande povo que é explorado e alienado da posse do PIB.

Enquanto outros países europeus experimentavam a industrialização, o Brasil se especializava na exploração, tanto do homem quanto das riquezas naturais. Na agricultura e na pecuária, as técnicas eram primitivas e totalmente extensivas. Então, o pequeno grupo que liderava esta atividade econômica primitiva detinha quase a totalidade dos lucros auferidos. Esta é a gênese da oligarquia histórica brasileira.

Neste clima de disputa dentre os oligárquicos, então, surge uma dissensão entre aqueles que preferiam a continuidade do império monárquico e aqueles que desejavam impor o sistema republicano. Na verdade, dentre a aristocracia rural, estes interesses divergentes não carregavam em si nenhuma ideologia ou ideia que visasse o crescimento do Brasil, mas, tão somente a intenção de facilitar o interesse espoliador de cada setor oligárquico; interesse, claro, da continuidade da extração e do enriquecimento pessoal; sempre em detrimento do coletivo.

É neste contexto que, então, o Marechal Deodoro da Fonseca, um militar tradicional brasileiro, descendente de família de militares diversos, apoiado pela parte da oligarquia civil que se interessava pelo fim da monarquia, proclamou a república.

Destaca-se que a expressão “proclamou a república” é atribuída a um processo histórico idêntico, em quase todos os aspectos, ao que hoje se chama de “golpe de 64”. Afinal, a proclamação da nossa república nada mais foi do que um golpe militar que derrubou o império e o sistema de governo institucional que havia aqui; foi, literalmente, um golpe armado contra o poder instituído. Afinal, havia um Estado legal, e ele foi derrubado, inclusive com a deposição da família real de forma totalmente ilegítima, irregular e aviltante. E, em decorrência, aconteceram muitos conflitos, revoltas, guerras regionais, torturas e mortes, principalmente nos longínquos rincões e fazendas. Foi assim nasceu a nossa democracia; graças aos militares que, apoiados por parte da elite oligárquica, proclamaram a república. Contextualizando as terminologias, diríamos que, segundo os vocábulos usuais dos atuais governantes do Brasil, então, dir-se-ia que, os militares aplicaram um golpe no governo monárquico institucional de então. No entanto, na história oficial, este processo é conhecido pela expressão “proclamou-se a república”.

Ironicamente, os democratas atuais têm liberdade  para governar o Brasil, graças ao golpe militar de 1889. Não fora este golpe, o Brasil de hoje seria uma monarquia governada pelo respectivo imperador.

Abrindo um parêntesis, relembramos uma célebre e sábia frase que diz: “O homem só saiu das cavernas devido à ação dos descontentes”. E, em condições normais, todas as mudanças são realizadas por processos não convencionais ao status em vigência. É uma quebra e, por vezes, uma ruptura. Então, a depender dos interesses da cada pessoa, esta tipologia de processo ganha as mais diversas nomenclaturas, tais como: ruptura, quebra, mudança, golpe, quebra das leis existentes, revolução, etc.

Então, nesta linha de pensamento, o primeiro golpe existente na história do Brasil foi aquele desferido pelos europeus por ocasião das suas ingerências e invasões no status existente entre os nativos do território brasileiro. Este foi, efetivamente, o primeiro golpe; hoje, com uma dose eufemista e hipócrita, ele é chamado de colonização. Mas, não tenham dúvida que, milhares foram aviltados, torturados, explorados, judiados e mortos.

Depois deste golpe da nossa história, seguiram-se vários outros, tais como: o golpe de ruptura desferido contra a coroa de Portugal, os golpes e contra golpes estabelecidos entre os diversos países na disputa por se estabelecerem no território brasileiro, e, assim por diante.   



RESUMO HISTÓRICO SOBRE A PRIMEIRA DEMOCRACIA BRASILEIRA

Os primeiros anos da nova república brasileira foram tempos de governo militar. Afinal, a oligarquia, dividida nos seus interesses exploradores entre monarquistas e republicanos, induzia o povo a se digladiar junto com ela. Então, quando uma sociedade civil assim se comporta, não há outra saída, exceto deixar a anarquia evoluir em guerra civil, ou então, como defesa contra o caos social, impor a ordem, através da metodologia que a história da humanidade sempre se valeu: o militarismo. Parece-nos que, diante do caos, o ser humano ainda não achou outra metodologia diferente do militarismo para retomar a ordem social.

Cremos que, qualquer pessoa que deseja entender como a sociedade humana age e reage, há de analisar este processo aqui descrito como algo que ocorre; efetivamente ocorre em todo o mundo dos humanos. Portanto, não se trata de uma “singular barbárie brasileira” de 1964, conforme se prega atualmente de forma maldosamente romântica.

Por outro lado, é estultícia adotar uma metodologia alicerçada em levantar um ícone ou bandeira pessoal contra alguma pessoa ou instituição, e, concluir que, em eliminando ou vencendo tais pessoas ou instituições, então, a problemática estará solucionada. Este proceder denota desconhecimento da perspectiva histórica pretérita; portanto, em decorrência, ele projeta um rumo equivocado, ou vicioso, para a história futura. 

Então, o golpe militar que derrubou a monarquia e que implantou a república aconteceu de espada em punho, em 1889. A este golpe sucederam-se cinco anos de governos militares, tendo em vista que a sociedade civil estava em constante conflito, sempre motivada pela intenção das oligarquias em extrair para si as riquezas existentes na nova terra.

Em 1891 foi promulgada a primeira constituição. E, entre 1894 até 1930 a república brasileira foi governada por presidentes civis, eleitos pelo povo, portanto.

Destaca-se que, segundo a tônica reinante na cultura brasileira da atualidade, quando o povo vota e quando há presidentes civis, então, tem-se uma democracia. O que, de fato, é um engodo que tem sido muito bem assimilado pela população brasileira através da sua história. Afinal, voto popular, controlado por softwares, não significa, jamais, a existência de uma democracia. Principalmente se o cidadão “eleitor” continua sendo manipulado e desprovido de cidadania. Afinal, hoje, o Brasil é a sétima  economia do mundo, mas, o seu sistema educacional está em nonagésimo lugar na classificação mundial e a distribuição da renda produzida pelo povo é uma das piores do mundo. Conclui-se, portanto, que a estrutura social originada nos tempos do Brasil colônia continua a mesma; ou seja, uma oligarquia que domina uma população alienada e explorada.

A questão a ser analisada hoje é: porque, a exemplo das demais repúblicas europeias, a república brasileira não foi se fortalecendo e fincando as suas raízes cada vez mais fundo através dos séculos? Porque ela teve que ser encerrada em 1930 e substituída por nova ditadura? Porque este efeito pendular, “ditadura democracia”, tem permanecido constante na história brasileira desde o seu início até aos dias atuais?

Pela nossa maneira de observar e analisar, é muito claro que este fato se deve, justamente, à deterioração da sociedade civil em sua organização democrática. Afinal, não se deve perder de vista que a república velha era dirigida por um grupo pequeno de pessoas que visavam extrair e sugar as riquezas da terra para si, conforme as origens da sociedade de então. E, para que isto acontecesse, esta oligarquia gerou uma população explorada, expropriada, analfabeta, sem cidadania e alienada das riquezas extraídas.

Ora, é notório que este processo social geral um “apodrecimento” que vai aumentando através das várias disputas entre as oligarquias, cada qual legislando em causa própria. Jamais em prol da nação.

Não é nosso intento considerar os detalhes deste processo de deterioração da sociedade civil ocorrido na Velha República Brasileira, também conhecida como República das Oligarquias.

Então, como previsto, o processo social brasileiro é desumano. Então, por si só ele gerou a revolução de trinta, e, consequente ditadura.

A “democracia” de então era regida pela política café com leite, representada pela aristocracia rural de São Paulo com a produção de café, e a de Minas com a produção de leite. Estes dois grupos sempre apresentavam os presidentes a serem “eleitos” pelo povo, através do voto de cabresto. Afinal, povo analfabeto significa povo manipulado.

Então, as oligarquias arquitetaram estratégias para manter-se no poder, sempre extraindo para si as riquezas, mantendo o país e o povo em geral na ignorância e na miséria; tanto educacional quanto econômica. E, estas estratégias das oligarquias consistiam de acordos, conchavos e de apoios entre os coronéis, governadores e presidentes. Os “coronéis”  nada mais eram do que fazendeiros, donos de pequenos “feudos” onde dominavam sobre os seus “servos”, também chamados de “eleitores”.

Para contextualizar a expressão “voto de cabresto”, não seria errado dizer que ela equivale ao que se chama hoje de “compra de voto”; quer seja com dinheiro efetivamente, quer seja aviltando a mente do eleitor, mantendo-o analfabeto, alienado e submetido a um marketing intenso e avassalador, quer seja concedendo uma “esmola” mensal visando mantê-lo vivo, porém em condições sub-humanas, etc.   

A história humana ensina que, quando um grupo domina sobre determinada situação, e, através de estratégias e artimanhas consegue uma ascensão eficaz sobre a massa, então, normalmente, não é a massa que age no sentido de mudar esta situação; mas, sempre, este esquema cai por terra porque, o pequeno grupo que domina inicia uma desavença letal contra si mesmo. E, esta dissensão sempre é motivada pela ganância de ganhar e de dominar mais do que o “colega” oligarca, ou o dono do “castelo ao lado”. Então, a deterioração da República das Oligarquias provocou a sua queda em 1930, exatamente por este motivo. A corrupção começou a tomar vulto, a se legitimar, até que, ladrão começou a denunciar ladrão e a delatar o acordo firmado entre ladrões para larapiar. Afinal, não se pode esquecer quais são as raízes históricas desta sociedade, e ter em mente que, subjetivamente, a intenção inserida na cultura brasileira é a de extrair; para si. E, por vezes, chama-se este esquema de “democracia”, mas, na verdade, nada tem de correlação com democracia.

A queda da Velha Democracia foi assim: Em 1930, de acordo com esquema estabelecido entre os oligarcas, era a vez da aristocracia de Minas Gerais indicar o seu candidato, e, todos votarem nele. No entanto, a aristocracia de São Paulo quebra o “acordo”, e lança o seu candidato: Julio Prestes. E, ele ganha as eleições. Ora, cheiro de traição no ar e de sociedade civil em desorganização crescente; portanto, revolução à vista.

E, assim aconteceu. Foi uma revolução semelhante ao enredo de qualquer filme clássico, em que bandidos, após lograr sucesso no roubo, se digladiam e se matam por não concordarem com a distribuição do produto do crime;  então, geram o conflito entre si.

A história registra que, os “coronéis” de Minas Gerais se aliaram aos de outros estados para formar uma aliança para lutar contra a oligarquia de São Paulo. E, com um golpe, invalidaram as eleições e empossam Getúlio Vargas na presidência.

Esta revolução, segundo a terminologia adotada pelos atuais governantes do Brasil, pode e deve ser denominada de “golpe civil de 1930”. Afinal, Getúlio Vargas liderou um golpe que derrubou as leis e as instituições legais de então; pois, a motivação da revolução não era pelos ideais democráticos e nem pelo bem estar e progresso da nação brasileira. A revolução de trinta foi motivada pelo fato dos oligarcas terem digladiado entre si, tão somente porque um grupo deles não cumprira o acordo de revezamento no poder exploratório. Nota-se, portanto, que a vontade popular, o civismo da nação e o voto do povo são valores insignificantes perante o poder e os desígnios determinados pela oligarquia. E, o povo sempre pensou, e pensa, que isto é, de fato, uma democracia!



A ERA VARGAS

Com a deterioração da democracia, então, para evitar o caos, ocorreu a revolução de 1930, na qual, os vencedores, claro, tiveram que se posicionar de forma militar sobre os vencidos. Um novo dissídio ocorrido no interior da oligarquia brasileira, provocado pela ganância cultural de sempre extrair para si, e, jamais trabalhar em prol da construção da um país seguro e propício para as gerações seguintes. Afinal, esta é a filosofia inata à cultura brasileira, conforme já considerado neste texto.

Como a história relata, Getúlio Vargas é nomeado presidente e passa a governar de forma centralizadora, inclusive derrubando a Constituição (status) existente; e conveniente à oligarquia. Então, a esta ação de Getúlio, há reação, claro. Esta reação da oligarquia paulista culmina com a revolução de 1932; ou seja, outro golpe, ou contra golpe; como queiram.

Este contra golpe comandado pela oligarquia paulista é contido pelas tropas federais, mas, em decorrência, em 1934, Getúlio promulga uma nova Constituição, a qual exibe um conteúdo bastante conveniente à aristocracia paulista; no entanto, detestado pela elite de Minas Gerais.

Então, em meio a esta turbulência de revoltas regionais, claro, com muita tortura, sangue, assassinatos e barbáries, em 1937, Getúlio, visando inibir o caos, promulga uma nova Constituição, a qual, praticamente, homologava a sua ditadura. Destaca-se que, esta ditadura só nasceu porque a democracia efetiva não existia, justamente pela ausência de um povo esclarecido. Havia, sim, a presença de uma massa popular subjugada historicamente pela oligarquia pequena, ávida por explorar o território e extrair riquezas para si. Então, a ordem social só pode ser estabelecida com a proibição de quaisquer atividades político partidárias; claro, estas, sempre orquestradas pela elite oligárquica litigiosa, e ávida por “levar vantagem”.

Em 1945, outra revolução, ou golpe, derruba o ditador Getúlio do poder, e é estabelecido um sistema chamado de “democracia”, contudo, muito manipulado pela elite oligárquica. Então, com a “democracia” estabelecida, o povo, em 1951, elege para presidente o antigo ditador Getúlio; o que, sem dúvida, desagrada a elite oligárquica brasileira.

Getúlio passa a governar sob forte pressão, não por parte do povo, mas da oligarquia, ou do Congresso, como queiram. Então, em 1954, ele se vê forçado a renunciar, em uma história não muito clara, em que ele se suicida.



A DEMOCRACIA QUE SUCEDEU A ERA VARGAS

Este período perdurou de 1954 até 1964. Foram eleitos pelo voto popular os presidentes Café Filho, Juscelino e Janio, respectivamente. Após a renúncia de Janio, assume Jango, o qual, em meio a tantas crises econômicas, revoltas, indisciplina dentre os militares, então, é deposto pela revolução, ou golpe de 1964.

Neste período o povo gozava de liberdade política, porém, padecia pelos problemas institucionais, sociais, econômicos, analfabetismo, etc. A governabilidade foi sendo surrupiada do presidente pela oposição composta pela elite oligárquica, que se apresentava ao povo na forma de partidos políticos.

Ressalta-se que, o Brasil de então, com o seu histórico de nação subdesenvolvida, com quase 50% do povo analfabeto, com uma oligarquia dominante e filosoficamente extrativista, então, era um país vulnerável. Sim, frágil para se impor no mundo de então, o qual era polarizado entre USA e URSS.

Enfim, o Brasil deveria, por força de contexto, aliar-se a um destes dois polos. Logo, quaisquer insinuações atuais que divulguem a possibilidade de, naquela época, existir um caminho autônomo e independente dos polos ditados pelos USA e URSS são insinuações falsas; afinal, quase nenhum país americano ou europeu se viu livre desta polarização. Então, não seria o subdesenvolvimento brasileiro que iria ter poder de ser exceção, e de projetar a sua nova sociedade e os seus ideais nacionais. Aliás, a história brasileira mostra que, mesmo nos séculos anteriores à pressão da guerra-fria, não houve interesse da sociedade brasileira se estruturar. Afinal, ela permaneceu naquela forma arcaica e medieval dos tempos dos exploradores e dos escravos; da oligarquia e os servos; da classe política e dos eleitores de cabrestos.

Percebe-se que, o contexto da guerra-fria dividiu os brasileiros em dois grupos; um pró USA e o outro pró URSS. Destaca-se que, ambos estes grupos se proclamavam nacionalistas, brasileiros e democratas; nenhum deles admitia estar sendo manipulado pelos dois polos dominantes do mundo de então.

No entanto, Jango, o último presidente, exibia ostensivamente a sua tendência pelo bloco comunista. Então, liderado pelos USA, a oligarquia brasileira opta pelo bloco capitalista. É quando, então, Jango é deposto para que se instaurasse um sistema ditatorial com filosofia capitalista. Este processo é conhecido hoje como a revolução de 64, ou o contra golpe de 64, ou o golpe de 64.

É preciso esclarecer que, no contexto da guerra-fria, o bloco capitalista apresentava sistemas de governo democratas, ou semelhantes. No entanto, o bloco comunista estalinista, por força de filosofia, jamais admitiu qualquer ideia democrata. Logo, nos dias atuais, há uma grande incoerência quando partidos e cidadãos comunistas confessos se apresentam como democratas; isto deve aviltar os restos mortais de Lênin, Stalin e outros mentores do bloco comunista.

Nos dias atuais existem muitos cidadãos brasileiros que se apresentam como democratas daquela época, e se proclamam vítimas da ditadura militar de 64; ou do golpe do capitalismo sobre o comunismo, o qual impediu que Jango implantasse aqui um regime à moda de Cuba, Alemanha Oriental, Coréia do Norte, etc. Estes cidadãos brasileiros atuais, em seus foros íntimos, podem, até, ser democratas; mas, para fugir da filosofia dos USA durante a guerra fria, eles teriam, compulsoriamente, que aderir à filosofia ditatorial estalinista do bloco da URSS; aliás, onde muitos deles estagiaram. Um terceiro caminho no contexto do mundo de então, como é propagado por eles hoje, não passa de poesia romântica fora de contexto, a qual visa iludir a geração atual que só conhece o período atual da nova democracia.




O GOVERNO DITATORIAL INICIADO EM 1964

Este período durou vinte anos. Como nos demais momentos históricos semelhantes do passado, ele foi severo contra as ideias e contra militantes simpatizantes do comunismo. Então, para evitar o caos social interno, como aconteceu nas ditaduras passadas, o método utilizado para se impor foi o militar.

No entanto, apesar da forte repressão exercida sobre a classe política, o povo em geral desfrutou de grande progresso. Afinal, nestes vinte anos de governo militar foram construídas várias estradas, a Via Dutra foi duplicada, foi construída a Rodovia dos Trabalhadores, ocorreu a instalação do primeiro sistema de telefonia realmente funcional no país, foi criado o INSS que proveu aposentadoria para milhões de brasileiros desamparados pelo calote dos institutos previdenciários de então, foi construída a ponte entre Rio e Niterói, houve a construção do aeroporto de Guarulhos, foi implantado o primeiro sistema de controle do espaço aéreo com utilização de radares, o analfabetismo foi reduzido de 47% para 20%, etc.

Enfim, hoje em dia, parece ser inverídico dizer que, nos trinta anos da democracia que sucedeu este período militar, não foi construído nenhum aeroporto, amarga-se  ver o sistema previdenciário com sérios problemas administrativos, constata-se que o analfabetismo funcional graça a população em geral mediante a humanização filosófica e a comercialização do sistema educacional, que as estradas construídas se encontram em péssimo estado de conservação, etc.

Não há dúvida que, como em toda a história relatada até aqui, neste período houve repressões militares contra quaisquer manifestações contra o governo. E, os cidadãos que militavam em pról de idéias inerentes ao bloco comunista de então, foram severamente contidos. Hoje se sabe que a sociedade brasileira reclama o desaparecimento de trezentos cidadãos brasileiros vitimados por estes vinte anos de ditadura. E, para isto  muitos estão se mobilizando para estabelecer averiguações sobre. Cremos que, tais investigações devem ser realizadas por uma questão de justiça; e, por questão de justiça ainda maior do que esta, então, concomitantemente a esta investigação, e, sob o mesmo regime legal, deve-se, então, averiguar os agentes do aparelho estatal atual que compõem a máquina da corrupção oficial, a qual gera no Brasil em torno de vinte mil assassinatos por ano decorrentes desta prática ostensiva corrompida e corruptora.


A DEMOCRACIA DA DÉCADA DE 80 ATÉ A ATUALIDADE

Finda a guerra fria, isto é, encerrado o domínio do mundo protagonizado pelos dois blocos, então, amadureceu no Brasil um apaziguamento necessário entre os brasileiros partidários de um e de outro bloco extintos, possibilitando, assim, restabelecer-se uma nova democracia.

E, assim foi feito.

Não é nossa intenção descrever este período composto pelos últimos trinta anos, afinal, a maior parte do leitor tem vivido e participado dele.

No entanto, não há como negar que a tendência histórica do Brasil tem sido caracterizada pela proporcionalidade existente entre o aumento da liberdade com o aumento implícito de um sistema social “entrópico”. E, a história pretérita ensina que, este crescimento típico da agitação social tem um limite, no qual, um antídoto rígido de reorganização tem que ser adotado.

Hoje, diante do crescimento do descrédito popular dispensado às instituições oficiais que sustentam a democracia; diante do aviltamento e da fome da “antiga oligarquia” em extrair para si; e, diante da filosofia humanista implantada no sistema educacional nos últimos trinta anos, gerando a violência exacerbada e analfabetismo funcional, então, fica claro qual é o momento histórico em que se vive hoje no Brasil de hoje. E, também, qual é a tendência prevista para a nossa história futura.

A ética da corrupção que foi instalada no Estado Brasileiro, mormente na última década, gerou uma máquina nociva à nação. Ela propiciou a gênese do crime organizado que é protagonizado pelo aparelho estatal, o qual projeta os seus efeitos nefastos, desde a Praça dos Três Poderes até às mais pobres comunidades de favelas e palafitas, repletas de “micro-ondas” torturadores e assassinos.

 
Estima-se que este sistema mata mais de vinte mil brasileiros por ano; todos vítimas da corrupção orquestrada pelo “Estado de Direito Democrático Brasileiro” atual. É certo que estas estatísticas são totalmente ocultadas; e, são substituídas por reclamações ostensivas relacionadas a trezentos brasileiros vitimados durante vinte anos de ditadura. Sim, a proporção é de vinte mil mortes por ano, contra trezentas por vinte anos. Na verdade, quando se beira o caos social, então, o que se brota de forma natural é o contrabando de arma que fica nas mãos da população civil.

Cremos, no entanto, que para sair deste círculo histórico rigidamente pendular – “democracia ditadura” -  só há um caminho. E ele passa por um sistema educacional formador – não humanista – que possa originar uma geração futura que seja separada total e radicalmente da filosofia reinante em nossa tão elogiada cultura brasileira. Aquela ideia subjetiva de “extrair para si” precisa ser substituída pelo firme propósito da construção de uma nação e de um Estado forte, com alicerces firmes ante um mundo líquido, visando, sempre, o bem estar e a segurança das gerações futuras. Pregar um sistema educacional de formação do cidadão no clima atual soa como aviltamento à autoestima; no entanto, pensamos que este é o método mais sensato, eficaz, e mais suave em rumo à construção de uma nação de fato.

Pensamos que, se a nação brasileira não tomar esta medida radical no curto prazo, e, se ela continuar se firmando sobre os elogiados valores culturais atuais, oriundos do tipo de liberdade que os degredados e os exploradores da antiga colônia tinham aqui, então, a nação brasileira permanecerá projetando para a história futura o mesmo movimento pendular e repetitivo descrito neste texto de forma resumida, e registrado de forma clara nos documentos que compõem a nossa história.



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A liberdade de expressão, embora não sendo a garantia da posse da verdade, é sempre uma ferramenta que promove esclarecimento - principalmente a quem atenta e reflete sobre o que outros exalam.
No caso do Brasil da atualidade é salutar evidenciar que, somente a liberdade de expressão, em si mesma, não se constitui em uma democracia, e nem com ela deve ser confundida.